Hoje acordamos com o dindo' despejando uma lata de água em nossas cabeças, o susto é grande no início, mas logo todos se acostumam. Despertar assim não nos deixa tempo nem de resmungar. Em pensamento, é claro. Ainda estava tudo completamente escuro. Ainda parecia a hora de ir descansar. Caminhões enormes chegavam com seus faróis acesos, uns muito sujos e fracos.
Iniciantes fazem caretas, uns chegam a vomitar, veteranos correm em direção aos caminhões.
Fazia frio, vento estava forte, minha camisa ainda estava molhada. Mas eu sabia que começaria a sentir calor quando começasse o trabalho. Cravei aos mãos no novo lixo despejado e comecei a minha caça. Estava ficando bom naquilo. Nunca fui dono dos trocados daquele amontoado que catara. Mas isso mantinha minha minha barriga cheia. A gororoba do dindo era deliciosa, ou talvez a nossa fome a deixasse assim.
Era momento do descanso e eu precisava fechar os olhos, merda de mente que não me deixa em paz. Só quer sonhar.
Não pode ser que alguém perca a infância, não pode ser.

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