Está chovendo lá fora e desta vez minha transparência está pulsando, meu sangue está quente, pés que volta e meia tropeçam, estavam firmes no sustento do corpo que ardia. A frieza foi convidada a retirar-se. A rosa deixada em cima da cômoda secou junto com meu esmalte pink. Cantarolando"Oh! Darling" lembrei de um riso, tão cômico e esperto. Flertei, beijei meu dedos, os últimos que tocaram aquele mistério. Dedo anelar vazio ainda, aguardando-a, mesmo que seja ainda vazio, está dessa vez sem pressa. Goles acompanhados de dedilhados nas cordas de aço, felino em repouso ao meu lado. Suspirei com o ar dos últimos choros, de alívio e de medo, encanto sem experiência ou qualquer plano em mente. Continuei a ler o caderno de poesia de 'sêu José', sentindo nos lábios a dormência que os escritos multifocais liberam para quem os engole. Lembranças à tona, uma puxada para a parte mais funda de um lago, sem um pingo de sentimento estava por dentro executando a função de um verdadeiro cadeado. Silêncio por fora, surge um arco-íris e me canso. Toca "Feito Pra Acabar". Com este tempo surrado, as roupas antes úmidas se estendidas já poderiam estar secas. Tudo muito rápido, sem medo, com beijo, sem abraço, sem número, com encontros, sem sexo, com risadas sem amizade. Tudo acabando rápido, mesmo que eu implorasse a mim mesma que não acreditasse mais uma vez, eu louca por este, fascinada pelos desencontros, toda eu ali. Com biscoitos, sol&chuva, beijo e dor, Adeus e risos. Mas nada, nada de parar de engolir o caderno de poesia de 'Zé'. Para sempre, flertar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário